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Dizem por aí que os anos 90 são os novos anos 80, em termos de referências de moda para a década de 2010. Parece confuso? Muitas décadas juntas numa só oração? Então que tal acrescentar os anos 40, 50, 60 e 70? Too much information? Mas é justamente essa salada de referências passadas que estamos vivenciando na moda de hoje.

Fotografia de moda de 2010

Da década de 40 voltou com força o militarismo, os espartilhos, o tweed. Uma das mais recentes coleções da Louis Vuitton remete à década de 50, assim como a feminilidade ladylike, a silhueta de cintura fina seguida de saia bem rodada e longa, alternando com a saia lápis, o tailleur, os vestidos arquitetônicos, as plumas e os paetês. Já de referências sessentistas temos as flores nos cabelos, um quê de futurismo, o coque alto na cabeça à la Brigitte Bardot. Da década de 70 visualizamos o tie-dye, o étnico, a força do jeans, as jaquetas de couro, o natural look (maquiagem com cara de não-me-maquiei) que foi desfilado na última SPFW como tendência para este verão, o tricô. No âmbito dos anos 90 temos a volta do minimalismo, a camisa xadrez do grunge, o glamour jet-setter (Tom Ford dos anos 90), a exuberância barroca. E a própria década de 80 continua mostrando o ar da graça com o espírito aeróbico através de uma moda mais esportiva, tornezeleiras, ou melhor, polainas (!), o navy e o estilo sagrado e profano ditado pela Madonna, dentre outras TANTAS referências de todas essas décadas.

Afinal, dá pra se falar em “novos anos 80” com tantas referências intertemporais?

Em palestra intitulada “Trinta anos de moda no Brasil – um olhar“, conduzida durante o Barra Fashion Mall, a jornalista Marília Scalzo abordou, além da história da moda brasileira a partir da década de 80, as conexões dessa moda com cultura e comportamento, destacando o surgimento das tribos e como estas evoluíram até os dias de hoje. Após palestra, conversei com a jornalista sobre algumas conclusões que poderiam ser auferidas a partir de tais informações e contextualizá-las aos dias de hoje.

A jornalista Marília Scalzo palestra sobre história da moda no Brasil - Barra Fashion Mall

Pois bem, segundo Marília Scalzo apresentou, as tribos ganharam destaque na década de 80. Bem definidas, cada indivíduo pertencente a uma tribo era facilmente identificável. Todavia, com a evolução do mundo e da sociedade, a velocidade da informação (principalmente da informação de moda) aproximou a convivência dessas tribos de tal modo que nas décadas seguintes já era possível perceber a presença de variadas tribos num só indivíduo: multifacetado, “pluri-estilizado”! A “patricinha” de dia poderia virar uma funkeira à noite, dentre outros aparentes paradoxos que já não são estranhos aos nossos olhos. E hoje já é até muito comum identificar a presença de várias tribos num só look!

Daí porque se pararmos para entender tantas referências a diferentes décadas do passado, percebemos que estas podem conviver na moda tal como as tribos: cada uma contribuindo com o melhor que tem para oferecer.

E por que a moda de determinada década volta? Qual a necessidade dos anos 80, 90 ou qualquer outra década voltar a ser “tendência” de moda?

Segundo Marília, coisas boas do passado sempre voltam pelo simples fato de que elas são boas e, portanto, sempre aproveitáveis. As referências do passado vão e voltam, conforme a necessidade de moda de determinado contexto. Assim, no pós anos 90 não se podia mais ouvir falar em minimalismo – de tão minimalista que foi a moda deste período – e hoje, após um período de descanso (leia-se: uma década!), o minimalismo volta para agradar novamente os olhos cansados dos excessos da década anterior.

Campanhas recentes da Prada, Louis Vuitton e Guess

Assim, os anos 90 podem até serem os novos anos 80, mas não estão sozinhos nessa caminhada: a convivência com as diversas referências do passado se faz presente e é cada vez mais uma tendência para a moda: o convívio de “tribos e referências” num só contexto.

E pra fechar de uma forma filosófica, uma revelação bombástica: nem anos 90, nem anos 80, nem nada: tudo o que volta retorna com novos olhares – os olhares de 2010! Portanto se você acha que vai voltar a usar a modinha dos anos 50, esqueça! E aquele seu moletom do Planet Hollywood e a bolsinha estilo mochilinha que você guardou com tanto carinho no maleiro na esperança de usá-los novamente? Cesta de doação djá! A não ser que você queira incorporar o estilo vintage ao seu look, que não necessariamente te deixará “na moda”! O que passou não volta igual, e tudo o que usamos hoje, por mais grunge (90), punk (80) ou hippie (70) que seja, é uma moda exclusiva de 2010!

Pobres consumidores…

A mulher de ontem e a mulher de hoje

Algumas referências históricas: Guia Fashion Iguatemi; Comunidade Moda anos 40 e anos 60.

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Vc vai toda trabalhada nas tendências para as festas baphônicas, arrisca uma modinha no dia-a-dia, e, quando vai malhar, veste aquele seu abadá do carnaval de 2003, amarra o frufru no cabelo e se joga? Então tá na hora de rever seus conceitos! A academia faz parte da vida, assim como os eventos sociais “importantes”, e sendo assim, concentrar esforços para a produção do seu look de ginástica faz toda a diferença na forma como vc encara o mundo (e como o mundo te encara)!

Ultimamente muitos dos grandes estilistas têm firmado parcerias com as mais famosas marcas desportivas. A saber: A Reebok firmou recentemente uma parceria com a Emporio Armani, Stella McCartney para a Adidas, e o McQueen muso ainda nos brindou com a última coleção da Puma. Mas o mais interessante mesmo é garimpar peças para a malhação em marcas que não são necessariamente de sports wear. Assim fica mais fácil fugir da camiseta branca e calça preta de listra, e trabalhar as tendências mais-mais da estação, pra chegar na academia no ponto!

Preparei uma listinha das tendências das roupas de ginástica, bem como das roupas de ginástica que estão trabalhadas nas tendências! Entenderam? Então presta atenção enquanto aproveita pra fazer aquele alongamento ergonômico e endireitar a coluna na frente do PC:

1. Brilho

Não poderia deixar de ser diferente neste ano-balada. E assim como a wet legging, a wet jacket também garante aquele brilho molhado durante os exercícios.

2. Acinturado

3. Recortes

Recortes laterais, já sabemos, são o carro-chefe dentre as tendências dos recortes. Mas não só de recortes laterais vivem as tendências, como vimos nas fashion weeks, abrindo espaço para diversos outros pontos de destaque na roupa. E em se tratando de academia, recortes são sempre bem-vindos para garantir o frescor ou evidenciar aquele músculo trabalhado. Mas atenção para não cair no piriguetismo. Essa calça preta recortada da Victoria´s Secret mesmo requer bastante cautela!

4. Transparência e Não-transparência

5. Renda

6. Tênis de salto

Para o antes e o depois das atividades físicas. Principalmente para aquelas em que vc faz descalça! Boa pedida para chegar abalando na aula de pilates, antes de tirar o sapato (na frente de todo mundo, é claro).

7. Bichismo

8. Assimetria / Um ombro só/ Ombros de fora

9. Mangas especiais

Até a Gwyneth Paltrow que volta e meia vai malhar na tendência pijamismo, desta vez acertou com este look fabuloso. Difícil é malhar assim aqui no Brasil (na Bahia, vai). Calor não deixa.

10. Bandagem/ Drapeado

11. Cropped

As blusinhas, casaquinhos, calças curtas/de bainhas máxi cortadas.

12. Grafismo / Xadrez / Matelassê

13. Shorts estampados / hot pants

E até saias para corrida/running (é a aposta da Track & Field)! Se as hotpants são difíceis de usar pra vida, na academia (leia-se esporte na praia) fica fácil. E os shorts lindos, brilhantes, estampados, até a Katy Perry já incorporou à sua caminhada diária.

14. Brasil

Pode parecer demodé, mas quando estiver pertinho da Copa vcs vão desejar loucamente ir pra academia vestindo as cores da bandeira. Acreditem.

15. Mais tendências

Coletinho, decotão, trama, correntes, babado, zíper aparente, macaquinho, tricô, militarismo, são boas idéias para atualizar o look malhação.

Dica: trabalhar o corpo que veste a moda é tão importante quanto trabalhar a moda que veste o corpo.

Mas se vc não quer/não pode abrir mão do abadá, ao menos usa aquele todo trabalhado nas tendências, que vc aprendeu a fazer aqui, no carnaval passado. ;o)