Arquivo de novembro, 2010

 Formada em turismo e pós-graduada em gestão de negócios, Carol Oliwe mostrou a que veio quando decidiu entrar para o mercado de acessórios há 5 anos! A primeira vez que conheci as peças da Carol foi ainda na época da faculdade, quando juntamente com todas as #itgirls da minha turma comecei a usar os brincos statement dessa talentosa designer. Os brincos eram maravilhosos e aos poucos fui conhecendo outras peças, como os colares e as pulseiras. Mas só recentemente tive a oportunidade de conhecer a Carol e o seu atelier e ver de perto mais do seu trabalho que, além dos brincos, colares e pulseirinhas, ainda tem bolsas, mochilas, acessórios para cabelo, enfim, tudo aquilo que promete (e cumpre!) dar um up no visual! Vamos conhecer um pouco mais da designer-trendsetter baiana:

1. Como designer de acessórios, qual a sua relação com as tendências? Qual a influência delas no seu processo criativo?

Bom, na minha criação sigo tendências sim…, pesquiso em revistas, internet, informativos… e de pequenos detalhes saem grandes idéias. E apesar de estar sempre antenada nas novidades, sempre crio na minha coleção um item exclusivo meu, que tenha a ver com o meu estilo e das minhas clientes! Gosto muito de trabalhar com o produto mais artesanal, e nisso que está o meu diferencial.

2. E no papel de consumidora, qual a relação com as tendências de moda?

Adoro estar na moda!!! Sigo tendência mesmo! Uso e abuso de tudo! Não tenho medo de ousar!

Super ligada na moda, Carol segue e lança tendências! No detalhe, pulseiras da marca compondo o look.

3. Você usa acessórios para ir malhar e para ir à praia?

Para ir malhar uso quase nada, no máximo uma correntinha curtinha e um brinquinho pequeno. Já para ir à praia uso sim! Pode ser colares, pulseiras ou brincos…

Invista nos acessórios certos para ir à academia e à praia... e arrase!

4. Qual é a sua extravagância necessária?

Minha maior extravagância é consumir demais! Por gostar de estar sempre na moda, sempre estou buscando uma novidade, seja nas minhas criações como no que vestir! 

5. Qual peça você elegeria como hit do verão 2010/11?

Acredito que as pulseirinhas de crochê com certeza! Tem de todas as cores, e ficam lindas várias juntas! Não tenho uma cliente que vá ao meu ateliê e não leve pelo menos uma!

As pulseirinhas de crochê - Hits para o verão 2010/11!

Em setembro saiu uma reportagem no Estadão sobre caçadores de tendências, e em determinado trecho, onde se apontam algumas macro-tendências, diz assim:

“Buscar o controle da vida e reconstruir o mundo em cima de outros eixos também está em alta. Seria um desdobramento da sustentabilidade. Valorização de produtos locais e da criatividade individual.”

Daí que poucos dias depois fui ao Barra Fashion e tive a oportunidade de conversar com alguns estilistas locais sobre suas inspirações e coleções. Percebi que, apesar de em algum momento suas coleções convergirem [inevitavelmente] para must-haves globais (afinal estamos todos expostos, de certo modo, às mesmas influências, aos mesmos filmes, mesmos livros, mesmas notícias), o direcionamento é outro, sem a preocupação do estar-alinhado-às-tendências, e sim mantendo o foco na mulher contemporânea desenhada a partir das suas visões de mundo, que pode ser baiana ou não, mas que por estes estilistas serem e estarem na Bahia, tais influências são imprimidas de alguma maneira na moda que criam.

Leila da Cruz pensa a moda para uma mulher global com referências

Como afirmou a estilista baiana Leila da Cruz, a sua moda é para uma mulher global com referências! Leila, enquanto criadora, gosta de estar com os “radares ligados” para captar uma coisa ou outra de inspiração, apesar de não estar voltada para as tendências ditadas pela moda. “O olhar da mulher baiana se abre com estilistas locais” – reflete. Além de Leila da Cruz, os estilistas Luciana Galeão, Karol Farias, Vinicius Cerqueira e Fábio Sande compõem o time que desfilou no último Barra Fashion Mall coleções que possibilitam essa abertura.

Luciana Galeão, Karol Farias, Vinicius Cerqueira e Fábio Sande: uma moda inspirada

E quando nós consumimos uma moda local, nós impulsionamos uma moda auto-sustentável, a criatividade, e, porque não, o auto-conhecimento. A partir de uma ótica mais personalizada, de certa forma é traduzido um “sentimento comum” do que realmente queremos naquele determinado momento, independente das bolsas lindas da Mulberry ou do sapato desejo da Chanel (e que a gente pode usar em diversas ocasiões!), mas também porque há certos momentos em que é preciso repensar a moda para a vida que a gente leva: quando o verão chega, quando o Baêa joga, ou quando você vai a um Caruru, quando os bares estão fechando na hora que a gente deveria estar começando a se arrumar pra ir pra balada pro reggae, quando a gente sente frio aos 23 ºC, ou vai ver o jazz no MAM, quando é convidada para um casamento chiquerésimo (mas que dá pra ir de curto!) no Espaço Unique ou a uma formatura na piscina de ondas desativada do Wet´n Wild, ou até mesmo quando acontece um show lindo internacional em meio àquele barro do Parque de Exposições, por mais golden que seja a sua pista! Nessas situações, o que a gente mais quer é estar adequada. E sustentabilidade é também adequação.

Imagens: reprodução
Montagens: Caçadora de Tendências

Quando pensamos em tendências de moda dá para pensar também em tendências para perfumes? Por exemplo, uma tendência militar, pesada, de inverno, poderia ensejar tipos de perfumes com uma composição muito maior de óleos essenciais, da espécie Eau de PARFUM, ou uma tendência navy, bem verão, ensejaria perfumes cítricos, refrescantes, da espécie Eau de TOILETTE ou Eau de Cologne. Será que isso ocorre?

Sim, é mais ou menos por aí! As tendências de moda são, em sua grande parte, reflexo da sociedade em que vivemos – do comportamento, dos fatos, da história, dos desejos e das perspectivas futuras. Isso reflete nas roupas, nos acessórios, nas cores, criando todo um contexto que também vai interferir nas fragrâncias, nas suas embalagens, e no seu conceito.

Querem alguns exemplos?

Nos anos 80, onde tudo era exagerado, a perfumaria também ficou exagerada, com “o nascimento das fragrâncias lineares de efeito instantâneo, irradiador e constante. Na mesma época surgiu Paris de YSL, um perfume Godzila com notas de pétalas de rosa, flor de laranjeira, mimosa, acássia, bergamota, jacinto, violetas, jasmim, orris, ylang ylang, lírio do vale entre outras. Um floral extremamente intenso e exagerado” – é o que ensina o artigo da Simone Shitrit, especialista em fragrâncias e consultora olfativa.

Nos tempos atuais, por exemplo, estamos vivendo uma moda que resgata muitas décadas do passado, anos 40, 50, 60… Segundo alguns especialistas, esse resgate do passado reflete a necessidade de se buscar segurança e conforto num período de economia instável. Conservadorismo também é palavra-chave (lembram da relação do uso das saias longas – mais conservadoras – com períodos de crise?). Os perfumes tendem a acompanhar esse ritmo. Em outro artigo, a Simone Shitrit revela que “esses sentimentos serão traduzidos pela volta ao passado e procura por florais – notas de rosas e violetas que tanto agradavam nossas mães e avós”. Ou seja, perfumes mais conservadores! Não é hora de investir numa extravagância! Juntando com o minimalismo dos anos 90 que está voltando a ser tendência, tudo se encaixa!

E até o nude entra na onda! “Assim como a tendência nude tomou conta da estação, o branco tomará conta dos perfumes. Veremos White musc (almíscares brancos), White cashmere (cashemira branca) e White Suede (camurça branca) entre outras”.

Sobre as perspectivas futuras, a tendência atual para perfumes também tem traduzido a procura por um futuro mais excitante e misterioso: “Procuraremos mais cores, novas experiências e mais alegria. Notas cítricas leves, amadeiradas mornas e notas ligadas à terra serão um fator comum nos perfumes deste ano. Isto é o que prevê Mary Ellen Lapzsanky, a presidente da Fragrance Foundation”.

Paula, alquimista da Avon, no Espaço Sensações

Essa semana visitei o Espaço Sensações da AVON, que está no 2º piso do Shopping Iguatemi – Salvador, e pude conversar com a Paula, alquimista do grupo, sobre o assunto. Ela acrescentou a existência de uma tendência de parcerias entre perfumaria e fashionistas (Herve Leger Femme, U by Ungaro, Lacroix Absynthe) ou pessoas famosas de grande destaque e influência (como a Fergie, do Blackeyed Peas e o seu perfume Outspoken, e a Reese Witherspoon e o In Bloom). Seria uma releitura do conceito de “fragrâncias de nicho”, onde marcas e celebridades lançam perfumes alternativos com certa liberdade para imprimir seus gostos e preferências por notas que definirão o aroma do perfume.

Fergie e o seu perfume: criação alinhada às suas preferências

Outro ponto que se busca ao criar um perfume é o conceito  de homem ou mulher contemporâneos que pode ser traduzido em óleos essenciais. É o que acontece, por exemplo, com o perfume Ironman, da Avon, como explica a Paula, que traduz o perfil do atleta, moderno, que sai da ginástica, toma um bom banho e quer sentir o frescor do dia na sua pele! Para isso, acordes frescos, colônias mais leves, que conversam com o agito do corpo, acalmando-o e trazendo uma sensação de energia e liberdade para o seu dia.

O conceito de atleta contemporâneo que inspira o Ironman

Tantas “notas” e “acordes” aromáticos dialogando harmonicamente com o nosso ritmo de vida (tendências) só podem resultar numa bela melodia.

Depois da moda militar e da mulher náutica lutarem em muitas batalhas mundo afora, é chegado o seu reconhecimento:

medalhinhas

muitas, de “ouro” e outros penduricalhos dourados espalhados pelas suas roupas. A vitória é merecida e é preciso ostentá-la!

Por outro lado, essas medalhinhas lembram moedinhas de ouro, que lembram baú de tesouro, que lembram… piratas!!! Será que a marinheira ainda está longe de se livrar dessa batalha naval e gritar “terra à vista”? Hein? Hein? Hein?

Por enquanto, é tudo especulação minha. É preciso acompanhar a evolução das tendências para ver onde isso tudo deságua! Enquanto isso, se inspirem nas fotos e aproveitem que é natal para se jogar nos penduricalhos.

Medalhinhas e moedinhas até nos acessórios

Com o retorno à moda de referências marcantes das décadas passadas, outros fatores (e acessórios) acabam acompanhando essa euforia e passam a ser relembrados (vintage) ou ganham um design repaginado-porém-fiel-às-origens para embarcar nesse contexto. E assim está acontecendo com as malas de viagem – acessórios dignos de um bom investimento! De uns tempos para cá, elas têm aparecido em muitos editoriais de moda, e no estilo mais vintage possível: retangulares, duronas, sem rodinhas, praticamente uma mala-sem-alça!

É claro que essa nova onda mala-baú não pretende anular as outras tendências de funcionalidade e praticidade de bagagens: 4 ou mais rodinhas (de boa durabilidade), puxadores retráteis, compartimentos, leveza, cores neutras, todos elementos facilitadores da vida do jet setter.

Então, pensando por esse lado, há também uma tendência de adaptação para essas malas vintage fashionistas: o material das malas duras de hoje (hardsided luggage) já está sendo feito com uma mistura de policarbonato e plástico ABS (PC-ABS) – que é tão forte quanto o policarbonato, mantendo-se flexível com o material ABS – palavras do John Ebb, CEO do Suitcase.com. Em outras palavras: nada impede que a “nova” mala adote esse material para se adequar na leveza, durabilidade e flexibilidade.

Já existem, inclusive, muitos alguns modelos disponíveis no mercado que incorporam esse espírito vintage. Tem a famosa hardsided luggage da Louis Vouitton, tem os modelos da Hartmann, e tem as mais moderninhas classic flights da Rimowa (incluindo rodinhas, puxador e compartimentos). Pra fazer muito charme entre o aeroporto e o lobby do hotel.