…ou de como Davide Sorrenti permanece vivo em nossos editoriais.

Que os anos 90 são os novos anos 80 todo mundo sabe. Mas a década de 90, apesar de ser a década das super models (Kate Moss, Naomi Campbell, Cindy Crawford), onde a exuberância da beleza atingia o seu ápice, representou também palco para expressões subversivas na moda: desde o moderninho movimento grunge (Marc Jacobs), passando pelo “anarquismo” de Galliano e McQueen, até a inconseqüente estética do Heroin Chic.

A coerência do Heroin Chic estava no paradoxo de identificar glamour na degradação humana, onde a fotografia de moda apresentava modelos como usuárias de drogas pesadas. A imagem esquálida, abatida, zumbi, ao mesmo tempo refletia e influenciava o meio social da época.

Mas eis que, desastres fashion à parte, o Heroin Chic perdeu força e a sociedade como um todo evoluiu. Salvo algumas recaídas já no novo milênio (anos 00), rapidamente solucionadas por rehabs (and leave Britney alone!),  a busca por uma melhor qualidade de vida ganhou muitos adeptos. E em tempos de reeducação alimentar, meio ambiente auto-sustentável, atividades físicas, modelos mais torneadas, produtos orgânicos, eco-bags, use-o-filtro-solar e lei anti-fumo… cigarros em editoriais chocam! Talvez mais que o Heroin Chic, já que à época a desinformação era maior. Choca porque é anti-tendência, ou, no caso, uma tendência regressiva. É ir de encontro a uma evolução de pensamento e de vida. E muitas revistas internacionais de moda têm regredido nesse sentido.

O cigarro ainda faz parte da sociedade, e negar isso seria negar a própria sociedade. Mas publicizar essa estética num editorial de moda passa a ser uma questão de saúde pública, sem o devido alerta para os riscos causados pelo consumo do cigarro e o poder de influência que a moda (e o comportamento de moda) exerce sobre a sociedade, em especial os jovens. Ainda mais quando a modelo de agora não parece depressiva como antes – esbanja sensualidade e glamour.

E então, de que lado você fica: em defesa da “arte” ou na defesa do consumidor?

*Associando moda e tabaco de uma forma produtiva, o Centro de Câncer de Brasília tem apostado na moda como um veículo de conscientização anti-tabagista. O movimento Sem tabaco, 100% Fashion tem ganhado relevância internacional e no dia 31 de agosto vai ocorrer uma intervenção urbana, na Av. Paulista, proposta pelo Cettro em parceria com o Incor. Esta sim, uma tendência boa e na qual vale a pena apostar! ;o)

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comentários
  1. […] This post was mentioned on Twitter by Rodrigo Castellucci, CaçadoraDeTendências. CaçadoraDeTendências said: Depois da sexta-feira 13, o fantasma do heroin chic assombra a noite do sábado 14! No blog: http://bit.ly/do86jI […]

  2. Juliana disse:

    Amei, seu Blog!!!
    As informações são muito ricas, com certeza fará parte de minhas leituras e irá contribuir no meu trabalho.
    bjos
    Juliana
    http://mariaenfeitadaloja.blogspot.com

  3. Lucky disse:

    Oi Juliana, que bom que gostou!!
    Gostei tb de saber que ganhei mais uma leitora baiana?! Oba!

    Beijinho

  4. Victor Wege disse:

    Em defesa da arte.

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