Arquivo de junho, 2010

Último post de tendências verão 2011 do Fashion Rio, e depois… Copa, São João, Copa e SPFW! 😉

1. Amarrações/tecidos ornando as sandálias

E na maioria das vezes as amarrações são em tecido!

2. Oxford

Ou sandálias imitando sapatinhos oxford, rasteira, anabela (Jorge Bischoff para Filhas de Gaia), vazados, de todos os tipos. Em especial destaque para os oxfords de bico fino.

3. Lenços

Nos cabelos ou no pescoço, Hermès way of life!

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Foram pouquíssimos os desfiles de moda-praia do Fashion Rio. Mas ainda assim dá pra perceber que as tendências para os biquinis, maiôs e derivados seguem as macro-tendências da temporada. Vê só:

Floresta

O ar florestal também invadiu a praia! Folhagens, flores e muito verde, pra deixar a sua praia com cara de ilha de Lost! ;o) 

 

Safári

O étnico-tribal-africano também fortes aqui. Dias quentes e  noites quentes. O verão vai ser cruel (it´s a cruel, cruel summer!).

 
Mais referências
 

Outras várias tendências que foram importadas para a moda-praia: recortes laterais, recortes frontais, recortes de todos os tipos, transparência, bichismo, mistura de estampas, de texturas e tecidos, cintura alta + blusinha cropped (com a semi-barriga à mostra), um ombro só, grafismos. Muitas referências de agora!

O Fashion Rio, apesar de ser uma das principais semanas de moda do país, possui um perfil bastante comercial. Até aí nenhum problema, se não sofresse pelo desgaste do excesso de [re]produção (sufocando a inspiração). Daí porque a maioria das coleções apresentadas podem ser facilmente identificáveis como passarelas wgsnianas (como diria o Ricardo Oliveiros). Muito do que foi visto nas temporadas de desfile internacional foi importado pra cá, e o mais-do-mesmo ainda tem destaque (muita assimetria – um ombro só, transparência, recortes, grafismo). 

Fato é que algumas modinhas, ainda que figurinha-repetida, já vêm perdendo força e abrindo espaço para outras que, ainda tímidas, se não forem confirmadas pela SPFW, certamente voltarão forte para o inverno 2011.  

Selecionei o top 10 (sem hierarquia) das novidades mais quentes que são tendência para as próximas estações. Vocês VERÃO:

1. Floral e Floresta

O floral está mesmo em alta. Mas o sopro refrescante do Fashion Rio apostou além: nas florestas! Folhagens, plantas, flores. Daí desenvolve para um jardim (jardinismo!) tornando tudo mais urbano, e pega o gancho do verde militar.

E lembram dos espinhos que apareceram como tendência de SATC2? Olha aí os spikes nos acessórios da New Order:

2. Safári

Deserto, África, Tribal, Étnico, Rústico e derivados (oi turbantes, calças Aladin e companhia!). Engraçado que aqui faz contraponto ao excesso de folhagens da mata atlântica florestal do tópico 1 desta lista. Mas seguindo o princípio do High-Low, o caminho é esse mesmo! E, por outro lado, o safári e derivados remetem a sol, e portanto verão. Tendência.

3. Macaquinho e Macacão

Os macaquinhos começaram a ganhar força no Rio de Janeiro no verão passado. Daí que os macacões ganharam notoriedade nas passarelas gringas e pronto: festival de macacos! O bom é que os modelos são super atuais, uma repaginada bem boa na moda. 

4. Short de cintura alta

Depois da modinha da saia tulipa de cintura alta (e de ninguém agüentar mais o combo saia preta + blusa branca), os shortinhos de cintura alta prometem dar essa refrescada e são bastante usáveis pro verão (e sem apelar para as hot pants, que insistem em aparecer, mas não encontram muitos adeptos na vida real).

5. Calças curtas

No emaranhado cropped, as calças curtas ganham destaque no Fashion Rio. Também muito verão.

6. Plissado

 O plissado começou aparecendo timidamente nas passarelas estrangeiras e ganhou força no Fashion Rio. Plissado é o novo babado?

7. Vestidos longos diurnos 

A Vogue Brasil de junho já anunciou: “use longo de dia e curtos à noite”. Desde que nas festonas (red carpets inclusos)  já está se usando vestidos curtos bem elaborados, cheios de brilho e muito drama, essa inversão faz muito sentido: curto noturno, longo diurno.

8. Recortes frontais e semi-barriga à mostra

Isso tudo é para não falar “barriga de fora”, sob pena de, por eventuais más interpretações, a Hype Victim sair por aí de top curto e calça de cintura baixa mostrando tudo o que tem direito.

Notem que nem o umbigo aparece! Quando não são apenas recortes frontais na roupa, o efeito barriga à mostra é criado pelo combo cintura alta + blusa cropped. Bem interessante essa combinação: a cintura sobe, mas a blusa sobe, e portanto não se alcançam, mas deixa a parte mais magrinha do tronco de fora (sendo mais elegante do que os pneusinhos de fora quando a cintura da calça desce e a dignidade desce junto).

9. Caged

Ainda não encontrei um bom correspondente para o caged: trama, rede, tela. Está tudo assim: enjaulado, tramado, redificado, quadriculado recortado, oh jesus que difícil definir! Próxima! 

10. Paleta de Cores 

Tons pastéis

Verão morno? Que nada! É que com tanto calor, e com tanto fluo no verão passado, uns tons pastéis agradam na hora certa.

Tons terrosos

Areia, marrom, tijolo, tudo bem neutro. É uma derivação da tendência Safári e caminha ao lado dos tons pastéis, por seu ar de neutralidade. É a calma que se busca nas cores deste verão [carioca].

 

Bônus: Bermuda ciclista sob vestido.

Só apareceu em cerca de 12% dos desfiles, e apesar de ter sido vedete da Cantão, este look não estaria figurando a minha listinha de top tendências salvo… as anotações esparsas da Glorinha Kalil? Também não. A aposta aqui é fundamentada nas orientações da WGSN!

E se bermudinha está voltando, e vestido tem sido peça-chave para o verão, basta um empurrãozinho pra este look dar certo. Ou São Paulo Fashion Week ou Editoriais daqui para o final do ano podem dar essa cartada que está faltando para que a bermuda ciclista vire a nova legging!

  

Próximos posts: acessórios e beach wear.

Referências:

Ainda esta semana sai o post com as tendências do Fashion Rio verão 2010/ 2011.

Por que não é vapt vupt?

Seguinte: as análises de tendências das semanas de moda levam em consideração uma série de fatores. Além da análise perpassar todos os desfiles e todos os looks, fazer referências cruzadas, preencher planilhas, tabular dados, ainda é preciso contextualizar a moda. Olhar para a frente, mas também olhar pra trás, verificar se determinada peça-chave já não foi tendência da última edição da mesma fashion week, se a peça figurinha-carimbada não mudou de conceito com algum truque de styling diferente, enfim, observar não só roupas, mas conceitos.

E vamos combinar que agasalho no inverno e roupas leves no verão não são “tendência”, né minha gente? Daí porque para que um couro ou um tricô virem tendências para o inverno, ou roupas brancas sejam “a” tendência do verão, é preciso que estes apareçam muito, mas muuuito mais do que uma peça nova que a gente não está acostumada a ver todo-dia. É preciso ter overdose (e contexto! Sempre a análise plural)!

E por que estas explicações todas?

Porque eu estou lendo por aí muita gente boa apontando pseudo-tendências baseadas apenas no “olhômetro”, ou porque a peça é nova (mas apareceu em apenas um desfile), ou porque apareceu demais (mas é figurinha carimbada), ou outros tantos motivos. Tem fashionista que aponta tendências antes mesmo da temporada acabar!

I´m so sorry, mas qualquer afirmação precipitada sobre tendências pode parecer um tanto temerária.

Por isso estou pesquisando, analisando e fundamentando tudo para poder apresentar uma listinha boa pra vcs.

 Já já sai do forno! ;o)

Bjs

Como já foi observado aqui no blog, o selvagem, a guerrilha, o drama, o heavy metal estão sempre inspirando ou servindo de contraponto às tendências que vêm surgindo. Mesmo referências que, a princípio, são associadas a romantismo e delicadeza (tule!) não conseguem quebrar de todo essa tendência animalesca.

Tanto nas roupas, quanto na maquiagem, tudo o que remete a esse espírito de estou-pronta-pra-batalha tem sobressaído com certa razoabilidade nos caminhos da moda.

Roupas rasgadas, militarismo, cabelo bagunçado, maquiagem borrada (e olho esfumado, gloss escuro, efeito molhado, dormi-de-maquiagem e derivados), batom dark (preto e até os tons de vermelho que estão muito mais fechados para o vinho), underground, spikes, mistura de animal print num mesmo look (onça, leopardo, zebra e até girafa – sempre os não domesticados!), sapatos pesados, muita plataforma, jeans + jeans (ô look carregado), e muito mais!

Quer romance? Vá ler um livro, e de preferência com seus óculos super nerd, bem intelectualóides e bem marcantes, pra enxergar melhor, pra pensar melhor. Até para as noivas os detalhes em preto contrastam no vestido de princesa.

O nude virou camelo – é preciso se expressar, não há mais espaço para passar desapercebida. Se antes a moda queria esconder, para outros valores sobressaírem, agora é hora de colocar uma armadura e sair à luta, aparecer, mostrar ao mundo a que se veio. Daí que, até no universo dos neutros, é preciso ter uma cor mais expressiva. (E não poderia haver nome melhor do que camelo – o selvagem dos neutros!)

Até o inverno, todo esse drama tem predominado, ainda que subliminarmente, no mundo da moda. Vamos aguardar as tendências de verão para ver se esse vai ser ou não um perfil de todo o ano, em que a gente sente necessidade de dar a cara a tapa e ir à luta, sobreviver a traumas políticos, sociais e ecológicos sem tempo para consertar o delineador, se equilibrar na instabilidade das bolsas e do mercado de capitais (calma, Grécia!), e continuar correndo para superar tudo, virando noite, se esforçando para segurar as pontas para que, até o final do ano, tudo corra bem.

Será?

E que venham as tendências do Fashion Rio e do São Paulo Fashion Week, edição de verão!